Sejam bem-vindos!
CONCAFÉ Cia. Inquieta de Idiotas, cia formada no curso superior de teatro da Universidade Federal de São João del Rei – MG.
Nós
da CONCAFÉ desde o primeiro encontro, quando decidimos misturar nossos
gostos, nos interessamos em investigar o que nos movimenta enquanto
indivíduos. O que nos torna único, em meio a tantos outros. Percorremos
a história de cada integrante e descobrimos quão vastos são os
ingredientes que nos compõem! Sonhos, desejos, erros, acertos, paixões,
curiosidades, medos, riscos... Ufa! Com um cardápio tão vasto, decidimos
vasculhar um universo que nos permitisse levantar questões, que nos
inquietassem. Fomos então, experimentar os sabores do pecado, um menu
que é receita garantida de qualquer indivíduo, e que foi nosso ponto de
interseção. Contudo, nossa fome apontava para além da dimensão cristã
que essa palavra automaticamente nos transporta. Pecado, desejo, culpa
ou consciência...? Quantos olhares, quantos sabores? Percebemos que o
discurso geral do pecado está intimamente ligado à falha humana, ao
julgamento do outro, ao certo e errado ditados por alguém. E também a
vontade lancinante do ser de agir, quase sem pensar, de querer, de tomar
para si, de provar. Mas qual seria o sabor daquele pecado escondido de
cada um? Qual seria a culpa que nos faz ser quem somos e como somos?
Qual seria o desejo que nos movimenta? ... Pecado para você ou para o
outro?
(PECADO: Esse termo no hebraico e no grego comum, (em hebr. hhatá; em gr. hamartáno) significam "errar", no sentido de errar ou não atingir um alvo, ideal ou padrão. Em latim, o termo é vertido por peccátu.)
Para nós pecar passou a indicar, muito além do valor cristão,
tornar presente o “ser” de cada um. Parte integrante de um “eu” com suas
várias camadas. Como um se coloca diante do outro, com suas opiniões e
conceitos. A partir de então, entendemos que nosso foco não estava em
“destrinchar” os sete pecados capitais inventados pela igreja como
instrumento de controle do corpo como bem pontuou certa vez o célebre
Saramago, mas sim ver a partir disso o corpo com a sua liberdade, o
corpo com seus apetites, o corpo com as suas ansiedades. Apropriando-se
então do termo cristão, o corpo que peca e que por sua história
perturba.
Diante dessa premissa, as histórias que recebemos no blog
para a criação da dramaturgia abriram nosso apetite e rechearam de novos
sabores nosso trabalho. Mastigamos cada uma com prazer. Degustamos o
pedaço de ser que cada participante nos ofereceu e dessa mistura surgiu
nosso prato principal: Falar sobre IDENTIDADE. Um tema repleto de
camadas, que sintetiza tudo aquilo que buscamos para esse primeiro
trabalho e nos dá água na boca. De grão em grão estamos “enchendo nosso
papo” e em breve vocês conhecerão qual sabor tem nosso preparado.
Obrigado a todos que nos alimentam. Nossa experiência está no forno e
assim que o ponteiro apitar, esperamos vocês famintos para nos
devorarem! Bom apetite! Aguardem!
Kaike Barto
Março de 2014

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